“Echoes Of The Damned” e “Voice of the Damned” formam um par. Na primeira, os malditos sussurravam na cabeça. Na segunda, aquilo que era sufocado finalmente grita.
“Damned” aparece dez vezes em “Echoes Of The Damned” e onze aqui.
Um animal enjaulado
Os primeiros versos: “I kept it buried under layers of skin / A caged animal starving deep within” — mantive isso enterrado debaixo de camadas de pele; um animal enjaulado passando fome bem lá no fundo.
“Fed it silence for breakfast, fear for dinner” — alimentei-o com silêncio no café da manhã e com medo no jantar.
Em “Heavy Route”, a fera de “Wake Up The Beast” também era alimentada com medo e calada. O pré-refrão diz isso com todas as letras: “The quiet is cracking… the beast wants out…” — a quietude está rachando, a fera quer sair.
Todos os “sim” engolidos
A segunda estrofe: “All the years I smiled while dying inside / All the nights I prayed just to stay alive” — todos os anos em que sorri morrendo por dentro; todas as noites em que rezei só para continuar vivo.
E todos os “sim” ditos num sussurro quando se queria gritar.
É o mesmo que em “No More Silence”, no disco anterior: sorrir apesar da dor e dizer “yes sir”. Só que aqui o que foi engolido volta “with teeth and with fire” — com dentes e com fogo.
Cada plano, porra
O refrão: “This is the voice of the damned! / Rising from the ashes of who I am!” — esta é a voz dos malditos, subindo das cinzas de quem eu sou.
“Breaking every rule, every fucking plan!” — rompendo cada regra, cada plano, porra. É a terceira faixa do disco com a marca [E].
O refrão termina com as palavras: “The voice of the damned… is finally found!” — a voz dos malditos finalmente foi encontrada.
Falou
O último refrão acrescenta: “The king has returned to reclaim his land!” — o rei voltou para retomar a sua terra. E termina: “The voice of the damned… is wide awake!” — a voz está bem acordada.
O outro: “The voice of the damned… / has spoken.” — a voz dos malditos falou.
A faixa termina com um simples ponto final, sem exclamação nem reticências. Quando a voz enfim falou, já não precisa gritar.
Você pode ouvir a faixa no Spotify, Apple Music e YouTube Music.
No próximo post falo sobre “Blood On The Crown” — sobre a coroa tirada dos mentirosos e usada sem vergonha.
Obrigado por estar aqui.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





