Depois do veneno de “Blinding Love” vem o silêncio. A terceira faixa do disco é a mais silenciosa em palavras — literalmente.
“Silence in Her Arms” é uma intimidade em que as palavras não ajudam, só atrapalham.
O toque como silêncio
O primeiro verso: “Her touch is the silence, where words lose their weight” — o toque dela é o silêncio em que as palavras perdem o peso.
“Silence” aparece aqui catorze vezes, “silent” — seis. Mais do que em qualquer outra faixa do disco. “Words” — sete vezes, e quase sempre como algo de que não se precisa.
Na segunda estrofe isso está dito com todas as letras: “Words are just shadows, that obscure what we feel” — as palavras são só sombras que encobrem o que sentimos.
Estrofes mais curtas
É a única faixa do disco em que as estrofes têm quatro versos. Todas as outras têm seis.
A forma faz aqui o mesmo que o texto. Uma canção sobre palavras desnecessárias usa menos delas do que o resto.
A terceira estrofe fecha esse pensamento: “Words would only shatter, this fragile peace we share” — as palavras só despedaçariam essa paz frágil que dividimos.
“Blinding” com outro sentido
A palavra da faixa anterior volta no refrão: “Silence in her arms… blinds me to the world…” — o silêncio nos braços dela me cega para o mundo. E depois: “In this blinding love… we’re forever free…”.
Em “Blinding Love”, a cegueira significava veneno. Aqui significa o contrário: o mundo some porque não é necessário, e não porque alguém o tirou.
Só essas duas faixas do disco usam a palavra “blinding”. Estão lado a lado e mostram a mesma palavra por dois lados.
O primeiro “we”
Nas duas primeiras faixas não aparece nenhum “we”. Havia “I” e havia “she”. Aqui “we” aparece onze vezes.
Já na primeira estrofe: “The world fades to nothing, in this quiet we find” — o mundo se desfaz em nada neste silêncio que encontramos.
E o outro, que fecha tudo isso: “In her arms we are home…” — nos braços dela estamos em casa. “Mystery” terminava em “I’ve found my home”. Aqui a casa já é compartilhada — a primeira do disco que pertence a dois, e não a um só.
Você pode ouvir a faixa no Spotify, Apple Music e YouTube Music.
No próximo post falo sobre “Lead Me to Her” — sobre um pedido dirigido a alguém em quem não se acredita.
Obrigado por estar aqui.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





