“Just You” – um amor que não precisa de mais nada

O refrão de “Road” trazia “just you and me”. A segunda faixa do disco pega duas dessas palavras — “just you” — e faz com elas o refrão inteiro.

É uma canção sobre um amor ao qual não é preciso acrescentar nada. Nem ouro, nem luzes, nem planos.

Uma lista do que não é preciso

Os primeiros versos: “No gold… no rush… / No fancy lights… / Just your hand in mine… / on quiet nights…” — sem ouro, sem pressa, sem luzes brilhantes; só a tua mão na minha nas noites tranquilas.

As três estrofes são construídas do mesmo jeito. Primeiro, o que não é preciso: correr atrás, provar, casas grandes, relógios, coisas para comprar. Depois, “just” e algo da outra pessoa — a mão, o sorriso, o coração batendo, o toque.

Na segunda estrofe: “No plans… no clocks… / no things to buy… / Just your heartbeat… / next to mine…” — sem planos, sem relógios; só o teu coração batendo ao lado do meu.

Um refrão de duas palavras

O refrão: “Just you… that’s all I need… / Just you… my heart can breathe… / Just you… forever with me…” — só você, não preciso de mais nada; perto de você o coração consegue respirar.

Seis versos curtos, três vezes “just you”. Contando o outro, o título aparece na canção onze vezes. Dizer a mesma coisa com menos palavras talvez nem seja possível.

E é disso que se trata. Esta canção não tenta ser inteligente. Diz uma coisa só e a repete tantas vezes que ela deixa de soar como uma declaração e passa a soar como respiração.

Um amor escolhido

O pré-refrão: “Everything fades… when you’re this close… / The world disappears… in the love we chose…” — tudo se apaga quando você está tão perto; o mundo desaparece no amor que escolhemos.

A palavra importante aqui é a última: “chose”. Não é uma paixão que cai como um raio. É um amor escolhido — e escolhido de novo, todos os dias.

Por isso o mundo pode desaparecer sem pesar. Não leva consigo nada que faria falta.

Enfim livre

A terceira estrofe: “No fame… no glory… / no need to pretend…” — sem fama, sem glória, sem precisar fingir. E no fim dela: “In your arms… / I’m finally free…” — nos teus braços, enfim sou livre.

Esse “finally” ainda vai voltar. Neste disco a liberdade tem dois caminhos: nos braços de alguém ou na estrada, longe de tudo. Sobre o segundo, daqui a alguns posts.

E a canção inteira ainda volta mais uma vez, quase com as mesmas palavras — com uma estrofe diferente. Sobre isso, no sexto post.

Você pode ouvir a faixa no Spotify, Apple Music e YouTube Music.

No próximo post falo sobre “No rush” — sobre uma vida sem pressa e um café na cama em vez de passagens de avião.

Obrigado por estar aqui.

Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem

Ouvir Just You Simple Folk Roads