“No rush” começava o dia com café na cama. “Just Like This” começa com café no fogão: “Woke up to your laugh… coffee on the stove…” — acordei com a tua risada, o café está no fogão.
É a faixa mais alegre do disco e a que tem menos versos — trinta e dois. Nada acontece aqui. E é justamente disso que se trata.
Uma cena em vez de uma declaração
A primeira estrofe: “You in my old t-shirt… hair all messed up… / Sun through the window… filling my cup…” — você com a minha camiseta velha, o cabelo todo bagunçado; o sol pela janela enchendo a minha xícara.
Não há aqui grandes palavras sobre o amor. Há uma camiseta velha, um cabelo bagunçado e luz na xícara. A canção não diz que está tudo bem — mostra.
O pré-refrão diz isso com todas as letras: “No fancy words… no need to impress…” — nada de palavras rebuscadas, ninguém precisa impressionar ninguém.
Dançando de meias
A segunda estrofe: “Dancing in the kitchen… socks on the floor… / Singing off-key… we laugh even more…” — dançando na cozinha, meias no chão; cantamos desafinados e rimos ainda mais.
E um detalhe fácil de deixar passar: “Your hand in my pocket… stealing my keys…” — a tua mão no meu bolso, roubando as minhas chaves.
A palavra “keys” aparece neste disco quatro vezes. Só aqui ninguém sai com as chaves. Em “Burn the Map”, “Ocean Breath” e “Drop Everything”, elas são entregues ou deixadas na mesa antes de partir. Aqui alguém as pega para que ninguém vá a lugar nenhum.
Nenhum “I”
Nesta canção a palavra “I” não aparece nenhuma vez. É a única faixa assim no disco.
Em compensação, “we” aparece oito vezes — mais do que em qualquer uma das outras nove. Tudo acontece no plural: acordamos, dançamos, rimos.
Esta canção não é sobre mim nem sobre você. É sobre nós — e dá para ouvir isso até na gramática.
Sem diamantes e sem estrelas
O refrão: “Just like this… yeah just like this… / You and me… we can’t miss… / No diamonds… no big kiss…” — assim mesmo; você e eu, não tem como errar; sem diamantes, nem mesmo um grande beijo.
A ponte: “We don’t need the world… to tell us it’s right… / We don’t need the stars… shining so bright…” — não precisamos que o mundo nos diga que está certo; não precisamos das estrelas.
E o último verso da ponte: “This simple love… it’s simply the best…” — este amor simples é simplesmente o melhor. O jogo de palavras é tão simples quanto a própria canção.
Você pode ouvir a faixa no Spotify, Apple Music e YouTube Music.
No próximo post falo sobre “Burn the Map” — a faixa que abre o segundo fio do disco: a ruptura com uma vida que ficou parada.
Obrigado por estar aqui.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





