O disco começou com um tremeluzir no vazio. Termina com uma luz que já não se apaga. Entre esses dois pontos estão nove faixas.
“Eternal Radiance” dura 6:52 e é a segunda mais longa do álbum.
A mesma imagem nas duas pontas
Na primeira faixa o coração era “a fading spark”, uma faísca que se apagava. Aqui a primeira estrofe diz “our souls entwine as one” e não usa uma única palavra que apague alguma coisa.
Entre essas duas frases não há milagre nenhum. Há oito faixas em que, pela ordem, ele achou um ponto fixo, encontrou alguém, não cedeu, prometeu, aguentou e parou de lutar.
Por isso a última faixa não precisa provar nada. Pode simplesmente brilhar por sete minutos, porque tudo o que levou até ali já aconteceu.
Um fim sem clímax
O refrão diz: “Eternal radiance, our souls burn as one, in boundless light, our journey’s won” — nossa jornada está ganha.
É o único lugar do disco em que aparece a palavra “ganha”, e aparece no tempo perfeito. Não “vamos vencer”, não “lutamos” — já. Depois de oito faixas no futuro, essa frase soa como pousar algo pesado.
A faixa não tem grande final, e isso foi proposital. Termina num outro em que sobram o violino e um verso: “In boundless radiance, our love has no end”. Sem mudança de tom, sem última pancada.
A segunda metade mais longa do catálogo
Este disco cresce. As duas primeiras faixas passam pouco de quatro minutos; as quatro últimas vão de 5:35 a 6:52. Com uma exceção — a terceira faixa — quanto mais para o fim, mais longa.
Não planejei isso numa planilha; saiu do próprio material. Quanto menos resta a provar, mais espaço sobra. As faixas iniciais são apertadas porque nelas sempre falta alguma coisa. As últimas podem apenas durar.
No disco anterior era exatamente o contrário — “Ann’s Harmony” acelerava a partir do meio. Dois discos sobre a mesma história, duas curvas opostas.
O que fica depois de nove faixas
Se você ouviu este disco em ordem, percorreu com alguém o caminho do vazio, passando pela tempestade, pelo encontro, pela recusa, pela promessa, pela prova e pelo cume, até aqui. Nove passos, e nenhum salta o anterior.
E se ouviu “Ann’s Harmony” antes, agora tem os dois lados. Aquele disco terminava com Ann sendo uma com o mar em que se afogava na primeira faixa. Este termina com a luz que parou de se apagar.
Não são dois finais diferentes. É um só, contado por duas pessoas.
Você pode ouvir o disco inteiro no Spotify, Apple Music e YouTube Music.
Este é o último post da série sobre “Pulse of Boundless Light”. Se você ouviu o disco junto com estes textos — espero que algo neles tenha batido.
Obrigado por estar aqui.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





