Se “Fight Through Fire” era uma declaração, “Unyielding Light” é a pergunta de onde tirar força quando a luta se prolonga.
É a segunda faixa de “From Dust to Defiance” e também a que mais se aproxima de um hino no sentido clássico da palavra.
Uma vontade de ferro
No pré-refrão está: “My will’s made of iron, I’ll never be beat”. A minha vontade é de ferro, não me deixo vencer.
Ao escrever essas palavras passei muito tempo a pensar se não soavam confiantes demais. No fim cheguei à conclusão de que é exatamente esse o ponto. Frases assim não se dizem quando são verdade. Dizem-se para que se tornem verdade.
Uma declaração de força dita em voz alta não é gabarolice. É a maneira como uma pessoa endireita a própria espinha para mais um dia.
Esperança não é otimismo
O refrão termina com “I’m the dust, I’m the fight, I’m the unyielding light” — eu sou o pó, eu sou a luta, eu sou a luz que não cede. Estas três coisas não estão lado a lado por acaso.
O otimismo diz que vai correr bem. A esperança diz algo completamente diferente: que vale a pena seguir mesmo sem saber como acaba. A primeira é uma previsão. A segunda é uma decisão.
Esta faixa fala de esperança nesse segundo sentido. Por isso o personagem não deixa de ser pó no momento em que se torna luz. Ele é as duas coisas ao mesmo tempo, e isso não é contradição.
Largo, alto, coral
Sonoramente esta é a faixa mais de estádio do disco. O refrão está dobrado, a voz tem apoio no segundo plano, e o espaço abre-se exatamente onde cai a frase do título.
Eu queria que essa parte desse para cantar. Não porque esteja a pensar em concertos, mas porque as frases que se cantam ficam mais tempo dentro da pessoa do que as que só se ouvem.
Em compensação, os versos são de propósito mais simples do que na faixa de abertura. Se a música inteira fosse tão larga quanto o refrão, não haveria diferença entre dúvida e declaração — e é justamente essa diferença que está em causa aqui.
Quando você vai precisar disto
Escrevi esta faixa para os dias em que nada de concreto aconteceu e mesmo assim custa levantar. Esses dias são os mais difíceis, porque não têm nenhuma história nem explicação por trás.
Numa desgraça a sério pelo menos se sabe o que está a acontecer. Com esse peso vulgar e sem nome a pessoa ainda se culpa por o sentir — afinal, não aconteceu nada.
Se calhar um dia desses, ponha esta faixa alto. Não resolve nada. Mas às vezes basta ouvir que outra pessoa também já esteve ali.
A faixa está no Spotify, no Apple Music e no YouTube Music.
O próximo post desce bastante. “Shattered Heart” é o momento mais pessoal deste disco.
Obrigado pela leitura.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





