“Shatter the Void” está disponível na íntegra a partir de hoje. Nove faixas e um caminho: descendo por quatro delas e depois de volta.
A quinta fica exatamente onde o disco se vira. Ela tem uma única palavra por nome, e essa palavra é uma ação.
Uma palavra, três vezes
O refrão diz: “Shatter! Shatter! Shatter! I’ll break through the night” — estilhaçar, estilhaçar, estilhaçar, vou romper a noite.
No disco inteiro só duas faixas repetem uma única palavra três vezes seguidas. Esta e a oitava, com “Rise! Rise! Rise!”. Duas faixas de distância e duas ordens: primeiro quebrar, depois levantar. Nessa ordem, porque ao contrário não dá.
O disco se chama “Shatter the Void” — estilhaçar o vazio. A quinta faixa é a única com um título de uma só palavra e a única que faz o que a capa anuncia.
Cada palavra das faixas anteriores, invertida
A primeira estrofe não introduz vocabulário novo. Ela recolhe o das faixas dois, três e quatro e inverte cada palavra.
O silêncio de “Silent Rift Within”: “The silence inside me, it’s breaking apart” — o silêncio dentro de mim se rompe. As dúvidas de “Fading Inner Spark”: “My doubts turn to fire” — minhas dúvidas viram fogo. E o vazio de “Echoes of Emptiness” volta na terceira estrofe: “The void tried to cage me, but I’m tearing it down” — o vazio tentou me enjaular, mas estou derrubando ele.
Mais a mesma faísca que uma faixa antes se apagava na chuva: “This spark in my soul will burn through the gray” — vai queimar através do cinza. Nada de novo apareceu. Mudou apenas a direção dos verbos.
Ponte e refrão enfim dizem o mesmo
Por três faixas funcionou assim: a ponte prometia uma virada e o refrão logo depois voltava, palavra por palavra, à derrota. Três vezes seguidas.
Aqui a ponte diz: “From the ashes I rise, with my fire unchained” — das cinzas eu me levanto, com o fogo solto das correntes. E o refrão depois dela é “Shatter! Shatter! Shatter!”. Pela primeira vez neste disco um não contradiz o outro.
É exatamente essa a virada de que falo desde o primeiro post. Ela não está em nenhuma frase isolada. Só se vê na ordem das seções.
Por que isto sai no dia do lançamento
Os posts desta série saem um por dia desde 28 de setembro, e o disco sai hoje. A quinta faixa caiu nesta data por conta da aritmética, mas ficou melhor do que se eu tivesse planejado.
Porque “Shatter” é o eixo de tudo. As quatro faixas antes dela descem cada vez mais: um pedido, o vazio, uma fenda, uma faísca que empalidece. As quatro depois sobem de volta: luz nas frestas, raiva, decisão e paz.
Se você for ouvir uma faixa para saber do que trata este disco, que seja esta. Embora, para ser honesto: o que dá sentido à quinta é o fato de haver quatro antes dela.
Você pode ouvir o disco inteiro no Spotify, Apple Music e YouTube Music.
No próximo post falo sobre “Broken Mind’s Glow” — sobre a luz que entra pelas frestas.
Obrigado por estar aqui.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





