“No More Silence” terminava com um despertar. “King Of My Chaos” vai além: não só para de pedir desculpa pela tempestade na cabeça, como se coroa rei dela.
“King” aparece aqui catorze vezes; “chaos”, também catorze. Mais do que em qualquer outra faixa do disco.
Tempestade na cabeça
Os primeiros versos: “I used to apologize for the storm in my brain / Now I charge admission when it starts to rain” — eu pedia desculpa pela tempestade na cabeça; agora cobro entrada quando começa a chover.
Há humor nisso, coisa rara neste disco. Aquilo de que antes se tinha vergonha vira um espetáculo para o qual é preciso comprar ingresso.
E depois: “I don’t run from the madness, I wear it like a crown” — não fujo da loucura, uso-a como coroa.
Cicatrizes como troféus
“Every scar on my soul is a trophy on the wall / Every demon I killed got his name in my hall” — cada cicatriz na alma é um troféu na parede; cada demônio que matei tem o nome no meu salão.
As cicatrizes ainda voltam duas vezes neste disco: em “I Own The Fire”, como armadura, e em “Legacy”, como mapa. A cada vez significam outra coisa.
O pré-refrão: “They tried to bury me… but I became the dirt…” — tentaram me enterrar, mas eu virei a terra.
Curvem-se à bagunça
O refrão: “I’m the King of My Chaos! / Bow down to the mess! / King of My Chaos! / I wear the darkness like a fucking dress!” — sou o rei do meu caos, curvem-se à bagunça; visto a escuridão como um vestido, caralho.
A faixa tem a marca [E]. O “fucking” aparece aqui três vezes — mais do que em qualquer outra do disco —, sempre no mesmo verso do refrão.
A segunda estrofe: “I dance on the graves of the man I used to be” — danço sobre as covas do homem que eu era. O mesmo homem antigo que “Break The Chain” deixou por morto.
Ainda vivo
A ponte: “I am the ruin… I am the rise… / Look me in the eyes… / I’m still alive!” — sou a ruína e a ascensão; olha nos meus olhos, ainda estou vivo.
O último refrão muda o final: “King of My Chaos… / I’m never going home!” — nunca vou voltar para casa.
O outro: “Yeah… I’m the king.” É uma das duas frases do disco que terminam com um simples ponto final, e não com exclamação ou reticências. A outra fecha o disco inteiro.
Você pode ouvir a faixa no Spotify, Apple Music e YouTube Music.
No próximo post falo sobre “I Own The Fire” — sobre cicatrizes usadas como armadura, e não escondidas debaixo da manga.
Obrigado por estar aqui.
Adam Smentoch
criador do projeto Dust Anthem





